Um tema… o ponteiro a girar (o funcionamento transcende a bateria)… e a difícil-prazerosa necessidade de redigir. Por assunto a leitura. Sem texto, sem tempo, sem pompa, me vejo na obrigação de tomar uma condução e ir para a faculdade (estudo e sustento). Facilidade e economia: o trem. Neste comboio (que não é o de cordas), foi resolvido o primeiro problema (entende-se pela rima). No meu vagão, pasmem, pois pasmei, havia nove livros abertos [com o meu velho e amarelo (não é amarelo de velho; a capa amarela e a folhas também) Brás Cubas, contávamos dez]. Assombrado, me levantei e percorri os outros seis ou sete vagões daquela composição, percebi que a média era ainda maior. A cada vagão, o número de livros abertos subia. Então, loucura de letrando, resolvi captar os títulos (como é sempre difícil lembrar todos os nomes, me perdoem a mescla autor-título) inumeráveis: Augusto Cury, Pe. Marcelo Rossi, Crepúsculo, Harry Potter, Bruna, a surfistinha, quadrinhos, Coquetel, pelo menos uns 30 títulos parecidos como Seja feliz em trinta dias (pare de fumar em… deixe de beber em… tenha um orgasmo em…). Não posso deixar de mencionar que alguns livros abertos (ou quase livros, porque eram xerox) transpareciam preocupação e desespero (possivelmente leitura obrigatória para trabalho ou prova). Não escreverei mais nomes, senão o escrito se torna infinito. Depois desta vagueação antropológico-literária, tive uma importante constatação para um país conhecido por seu alto índice de analfabetismo: “Ler é fashion”. Cada um se veste como pode, cria, inventa, customiza, revira o armário. Uns usam Armani, Lacoste, Luis Vuitton… outros, as peças vendidas em lojas de baixo custo. E daí?! a moda é minha, o estilo é o homem. Tenho, nestas últimas palavras, a exata sensação de que meu livro velho-amarelo equivale exatamante ao meu all star (surrado e preto), minha camisa amarela e meu jeans. A roupa dos outros livros abertos é questão de imaginar.
P.s.: Este texto foi publicado primeiramente no blog http://lerefashion.wordpress.com/
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Perdi o tempo
Lá se foi a poesia
no tempo
passei a vida
passarinho-tristeza
no bolso, um acorde
sem canção
a letra
no vazio
coração
veia
teia
trama
viva
construída
no tempo
passei a vida
passarinho-tristeza
no bolso, um acorde
sem canção
a letra
no vazio
coração
veia
teia
trama
viva
construída
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Último poema com o mesmo tema: um conto que li.
Sonhei com o céu
Por duas ou três vezes
sua entrada era uva e,
inconfundível, se abriu
por um fio
me acolheu.
Que céu receberia um ateu...
... sem culpas, desculpas, sem dor
poderia ser branco, amarelo, vermelho...
mas eis que em um dos sonhos
escureceu...
preto se tornou...
No fim, ao despertar,
me questiono:
o céu existe?
Por duas ou três vezes
sua entrada era uva e,
inconfundível, se abriu
por um fio
me acolheu.
Que céu receberia um ateu...
... sem culpas, desculpas, sem dor
poderia ser branco, amarelo, vermelho...
mas eis que em um dos sonhos
escureceu...
preto se tornou...
No fim, ao despertar,
me questiono:
o céu existe?
domingo, 23 de dezembro de 2012
Poema retirado de um texto que li outro dia
Loucura ou sanidade:
Limite?
realidade e sonho.
O personagem:
- me exponho?
O leitor:
- sonho!
A imagem na retina.
... O sonho, o desejo...
preto, uva: o presente.
o vinho... o som... o beijo.
Por um fio
imagens e sonhos...
sonhos e imagens...
o real se turva
tudo quase cinza...
toma cores...
preto ou uva...
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Asteca
Talvez o calendário Maia realmente apenas aponte o início de
um novo ciclo, assim como acontece todo dia primeiro de janeiro; “talvez o
mundo não seja pequeno e nem a vida um ato consumado”; talvez definitivamente
exista uma possibilidade de algum evento cósmico ocorrer... talvez... talvez...
O que impressiona não é a imprecisão do talvez, mas a
maneira com a qual as pessoas tocam suas vidas... e se realmente fosse o fim do
mundo... terminaríamos assim... cheios de viciados em crack perambulando por aí...
com os estádios para a copa do mundo prontos, e os corredores dos hospitais
funcionando como enfermaria, CTI e sala de repouso... sem ter diminuído a miséria
e atenuado a fome e a dor do povo nordestino... sem efetivamente ter
dignificado o sexo feminino... sem ter abolido o preconceito em todas as suas
manifestações... étnicas, sexuais, religiosas e afins... sem realmente ter
feito valer a pena esse curto instante entre o nascer e o morrer...
Muitos são os problemas que evidenciam que o caos está
instaurado e que definhamos e que morremos um pouco todo dia... de fome, de
medo, de intolerância, de inércia, de pressa, de ansiedade, de depressão, de
amor – ainda há aqueles que sofrem por amor, de ignorância, de pedantismo, de
puritanismo...
Diante de tudo e de nada, talvez o melhor realmente fosse o
Juízo Final... não... definitivamente não... os Maias realmente erraram, pois não
há como acontecer um julgamento tão importante em dezembro... eles esqueceram
que, pelo menos no Brasil, a Justiça está de férias – não nos esqueçamos que,
por vezes, a justiça trabalha... aparece... basta olhar para as periferias...
Uma última e não menos importante palavra... Se o mundo não
acabou... pelo menos a importante discussão acerca de tão grandioso
acontecimento acabou com a onda de violência em São Paulo... pelo menos no
noticiário da Globo.
Beijos nos sobreviventes.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Incapacidade lúcida
Hoje queria escrever um poema
qualquer um
sobre qualquer assunto
com qualquer forma
um poema qualquer...
Hoje descobri:
Não sei fazer poemas
Poemas não são para mim. Desisti.
qualquer um
sobre qualquer assunto
com qualquer forma
um poema qualquer...
Hoje descobri:
Não sei fazer poemas
Poemas não são para mim. Desisti.
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