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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Caminhamos

Nem todos os sonhos são publicáveis.
nem todas as verdades, verdadeiras.
nem todos os desejos, desejáveis.
nem tudo o que se diz é pensado.
nem tudo o que se pensa é dito.
nem tudo o que se projeta é realizado.
e assim caminhamos.

Retrato do peito

retrato do peito
a tristeza é imanente...
não invade, por ser própria
do interior
por vezes, a vejo...
converso, driblo,
me escondo, mas
como furacão que se forma
sem previsão, atropela-me
lança-me ao chão
resignado... choro.
ouço o silêncio.
silencio...
e volto... para dentro
sem me ouvir,
percebo que sou homem
que sou fraco...
não rezo,
porque é...
sempre foi...
será...
triste.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Condicionais

E se eu fosse negra?
E se eu fosse mulher?
E se eu me chamasse Claudia?
E se eu fosse menino?
E se tivesse sonhos?
E se eu me chamasse Eduardo?
E se eu fosse pobre?
E se eu tivesse filhos?
E se eu me chamasse Amarildo?
E se eu tivesse fome?
E se eu não estudasse?
E se eu amasse?
E se eu vivesse?
O se só deixará de ser condicional, 
se houver o outro que sou eu, se assim eu me permitir.

Homo

Lá estava um corpo no chão...
braços abertos... não causou polêmica.
brincava com moda e bonecas... causou polêmica.
Era homossexual... causou polêmica.
A violência contra ele.. não causou polêmica.
A luta é necessária,
uma vez que se não há um deus para o Rafael,
pelo menos justiça deve haver.
Seu corpo já foi enterrado,
seu desejo violentado.
E sabe o que mais dói, Rafael?
É que tem muita gente vendo isso como castigo.
É que tem muita gente dizendo que é doença.
É que essa morte não é apenas uma morte,
Pois é uma violência contra o gênero, contra a identidade,
Contra os sonhos.
E nesse momento, Rafael, tem muita gente com medo de sonhar,
de se expressar, de ser o que é, porque a sociedade puritana não quer.
Rafael, um abraço!
E se existir um deus aí, onde você está, diz pra ele que grande parte dos brasileiros está todo dia batendo um prego diferente na cruz do filho dele.
Beijo, menino!
Vá em paz.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Perdi o tempo

Lá se foi a poesia
no tempo
passei a vida
passarinho-tristeza

no bolso, um acorde
sem canção
a letra
no vazio
coração
veia
teia
trama
viva
construída

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Último poema com o mesmo tema: um conto que li.

Sonhei com o céu
Por duas ou três vezes
sua entrada era uva e,
inconfundível, se abriu
por um fio
me acolheu.

Que céu receberia um ateu...
... sem culpas, desculpas, sem dor
poderia ser branco, amarelo, vermelho...
mas eis que em um dos sonhos
escureceu...
preto se tornou...

No fim, ao despertar,
me questiono:
o céu existe?

domingo, 23 de dezembro de 2012

Poema retirado de um texto que li outro dia



Loucura ou sanidade:
Limite?
realidade e sonho.
O personagem:
- me exponho?
O leitor:
- sonho!
A imagem na retina.
... O sonho, o desejo...
preto, uva: o presente.
o vinho... o som... o beijo.

Por um fio



imagens e sonhos...
sonhos e imagens...
o real se turva
tudo quase cinza...
toma cores...
preto ou uva...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

lembranças de café

Algumas coisas se vão da mente
que nem sente que esqueceu
Outro dia a memória me trouxe um café...
Caro demais...
numa tarde agradável, com cheiro...
Impossibilidade que consome a todos
e encerra os pretensiosos
Pretensão de libertar-te e transformar-te
no que és...
Pois já eras dentro e não além,
depois não há nada
É o cheiro do café... que aguça os sentidos, menos o paladar...
Caro demais,
numa tarde agradável, sem dinheiro...
O que importam as finanças?... às favas...
Lá estávamos... sorrisos amarelos... tarde cinzenta...
Nem uns nem outros seriam...
Nublados todos
senão o olhar pelo reflexo especular das retinas,
Pela alma apagada e amarelamente medrosa...
Foi o café, porque se fosse cerveja...
Caro demais...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

um para quê

talvez não fosse nada
ou o mundo a desabar
o tempo "imprevisível" unitário
nos faz joguetes da vontade
quando quis, sem bis, mais
não que faltasse tempo... falta...

viva la vida: música festa
me perdi: inclusive o poema
exclua, mas não a si
faltou-me verbo, desviei

talvez seja sono, ou pileque
moleque não brinque com fogo
a roupa de cama é limpa
o estrago, maior
mas ria, sem disritmia
tum tum, ouço samba
ou coração
que marca à roda, ciclo
serenei sem sereno, sei
que de tudo, nada
nem folhas, livro, vidro
nem... sonho.

mosquito caminhante

malfadado não voa, caminha
borboleta, graúna, sabiá, não!
com asa, como se não tivesse
tem o ar, prefere o chão.
que razão!?
do alto a dor se alteia
talvez não ver
na verdade é o voar
que não pode ser
uma pesa mais que a outra
lateralmente viver?
por isso anda-se para não pender.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

outro

se admitir, termina
a procura não se finda
iniciada, deixa pedaço em mim
sem fim...

o olhar que disfarça
se mostra
a chuva não vem, o tempo
não abre
sem paz
você foge
procuro outro lado.

se-r-es

será que é permitido ser
o que se deseja ser?
expressar, se expor: ser, pensar
e sentir
tudo é como querem, todos são como se querem
pensamentos,
sou tua imagem refletida em mim...
meus olhos enquanto dormem, observam
a libido esta aí, passear pelo antagonismo
de mim mesmo e
ser somente sendo o que se quer ser sendo

um título (untitled)

cansar de ser, de viver o que não se é
olhar e não ver o visto, pois é
a menina está do outro lado
viva, viva!
flor no jardim da frente
respira, respira!
dançar sem mover-se
viver sem perder-se
e chorar
a mágoa, o mundo me trouxe
jogo em mim, toda aquela miséria
dizer, não crer, viver (outro) ser, sem ser
e pronto.

pensar

hoje,
não foi como planejamos
brigas - pra lá do outro lado
largo, profundo é meu ser
sereno, assaz sereno é ter paz
o abismo entre nossos lábios
se desfaz pela ponte de
nossos espíritos
se não foi, é possível
se a vida se deu, em mim em ti
se olho para fora esqueço

(dentro)

amanhã...

eu-mundo

quem sou eu
no mundo
o que é o mundo
em mim
o mundo é meu
pois sou o mundo
o mundo sou eu
não estou no mundo
sou o mundo meu
o mundo
não me entendeu
teu mundo não é meu
meu mundo foi teu
sou teu
o mundo explodiu
com olhares atômicos
palavras nucleares
odioativas
desmanchando
o jogo.
o mundo acabou

o mundo morreu.

problemas, soluções, palavras, dores-amores, mundo e você...

um buraco na alma
um enorme buraco na alma
um buraco enorme na alma
na alma um enorme buraco
na alma um buraco enorme
vazio
dor
fome
no buraco da alma
sem ozônio ou CFCs
apenas existe
sem tamanho exato
sem raio ou diâmetro
sem luz, sem som
sem suor, sem vida
buraco
silêncio
tempo
fim
recomeço

quinta-feira, 23 de julho de 2009

entre

essencial em mim
amor sem fim
emana de ti
e em ti por fim
vidas afins
nós, querubins
em paz
versos, clarins
eu, sim
tu, sim
nós, um
bolo, pudim
festa, cavaquin...
samba, pagodin...
"alguma poesia"
canto e passarin...
sós, enfim
por um tempin...
mãos, pés...
riso, beijin...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

o que vi e ouvi

Quis fazer um bello samba
Do pinheiro fiz viola
Se não vi neve, tenho luz
No peito uma cruz
Como enfeite pérola negra
Poema é como viola
Toda madeira é palavra
Se não for carvalho, isola

Pensei numa flor, escolhi uma rosa
Se não rima, vale uma prosa
É sol. Se chove, sombrinha.
Se não passa, lona
Pega o pandeiro, o tantan, cavaquinho...
Sem samba pode até pagodinho
Importa alegrar a vila
Fazer bater coração
E se faltar partido alto
É só tirar da cartola um Lara laia la...

terça-feira, 19 de maio de 2009

tão

esquisito
estranho
tacanho
mosquito


calo.