Lá se foi a poesia
no tempo
passei a vida
passarinho-tristeza
no bolso, um acorde
sem canção
a letra
no vazio
coração
veia
teia
trama
viva
construída
domingo, 23 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Último poema com o mesmo tema: um conto que li.
Sonhei com o céu
Por duas ou três vezes
sua entrada era uva e,
inconfundível, se abriu
por um fio
me acolheu.
Que céu receberia um ateu...
... sem culpas, desculpas, sem dor
poderia ser branco, amarelo, vermelho...
mas eis que em um dos sonhos
escureceu...
preto se tornou...
No fim, ao despertar,
me questiono:
o céu existe?
Por duas ou três vezes
sua entrada era uva e,
inconfundível, se abriu
por um fio
me acolheu.
Que céu receberia um ateu...
... sem culpas, desculpas, sem dor
poderia ser branco, amarelo, vermelho...
mas eis que em um dos sonhos
escureceu...
preto se tornou...
No fim, ao despertar,
me questiono:
o céu existe?
domingo, 23 de dezembro de 2012
Poema retirado de um texto que li outro dia
Loucura ou sanidade:
Limite?
realidade e sonho.
O personagem:
- me exponho?
O leitor:
- sonho!
A imagem na retina.
... O sonho, o desejo...
preto, uva: o presente.
o vinho... o som... o beijo.
Por um fio
imagens e sonhos...
sonhos e imagens...
o real se turva
tudo quase cinza...
toma cores...
preto ou uva...
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Asteca
Talvez o calendário Maia realmente apenas aponte o início de
um novo ciclo, assim como acontece todo dia primeiro de janeiro; “talvez o
mundo não seja pequeno e nem a vida um ato consumado”; talvez definitivamente
exista uma possibilidade de algum evento cósmico ocorrer... talvez... talvez...
O que impressiona não é a imprecisão do talvez, mas a
maneira com a qual as pessoas tocam suas vidas... e se realmente fosse o fim do
mundo... terminaríamos assim... cheios de viciados em crack perambulando por aí...
com os estádios para a copa do mundo prontos, e os corredores dos hospitais
funcionando como enfermaria, CTI e sala de repouso... sem ter diminuído a miséria
e atenuado a fome e a dor do povo nordestino... sem efetivamente ter
dignificado o sexo feminino... sem ter abolido o preconceito em todas as suas
manifestações... étnicas, sexuais, religiosas e afins... sem realmente ter
feito valer a pena esse curto instante entre o nascer e o morrer...
Muitos são os problemas que evidenciam que o caos está
instaurado e que definhamos e que morremos um pouco todo dia... de fome, de
medo, de intolerância, de inércia, de pressa, de ansiedade, de depressão, de
amor – ainda há aqueles que sofrem por amor, de ignorância, de pedantismo, de
puritanismo...
Diante de tudo e de nada, talvez o melhor realmente fosse o
Juízo Final... não... definitivamente não... os Maias realmente erraram, pois não
há como acontecer um julgamento tão importante em dezembro... eles esqueceram
que, pelo menos no Brasil, a Justiça está de férias – não nos esqueçamos que,
por vezes, a justiça trabalha... aparece... basta olhar para as periferias...
Uma última e não menos importante palavra... Se o mundo não
acabou... pelo menos a importante discussão acerca de tão grandioso
acontecimento acabou com a onda de violência em São Paulo... pelo menos no
noticiário da Globo.
Beijos nos sobreviventes.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Incapacidade lúcida
Hoje queria escrever um poema
qualquer um
sobre qualquer assunto
com qualquer forma
um poema qualquer...
Hoje descobri:
Não sei fazer poemas
Poemas não são para mim. Desisti.
qualquer um
sobre qualquer assunto
com qualquer forma
um poema qualquer...
Hoje descobri:
Não sei fazer poemas
Poemas não são para mim. Desisti.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
lembranças de café
Algumas coisas se vão da mente
que nem sente que esqueceu
Outro dia a memória me trouxe um café...
Caro demais...
numa tarde agradável, com cheiro...
Impossibilidade que consome a todos
e encerra os pretensiosos
Pretensão de libertar-te e transformar-te
no que és...
Pois já eras dentro e não além,
depois não há nada
É o cheiro do café... que aguça os sentidos, menos o paladar...
Caro demais,
numa tarde agradável, sem dinheiro...
O que importam as finanças?... às favas...
Lá estávamos... sorrisos amarelos... tarde cinzenta...
Nem uns nem outros seriam...
Nublados todos
senão o olhar pelo reflexo especular das retinas,
Pela alma apagada e amarelamente medrosa...
Foi o café, porque se fosse cerveja...
Caro demais...
que nem sente que esqueceu
Outro dia a memória me trouxe um café...
Caro demais...
numa tarde agradável, com cheiro...
Impossibilidade que consome a todos
e encerra os pretensiosos
Pretensão de libertar-te e transformar-te
no que és...
Pois já eras dentro e não além,
depois não há nada
É o cheiro do café... que aguça os sentidos, menos o paladar...
Caro demais,
numa tarde agradável, sem dinheiro...
O que importam as finanças?... às favas...
Lá estávamos... sorrisos amarelos... tarde cinzenta...
Nem uns nem outros seriam...
Nublados todos
senão o olhar pelo reflexo especular das retinas,
Pela alma apagada e amarelamente medrosa...
Foi o café, porque se fosse cerveja...
Caro demais...
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